MDB e PSD tentam emplacar candidatura de última hora contra Adjuto Afonso, favorito à reeleição no comando da Casa
Antes de qualquer articulação de bastidor, há um número que ronda a candidatura de Thiago Abrahim à Presidência da Aleam: a rejeição que carrega entre colegas e eleitores do interior. Fama que vem de 2022, quando promessas feitas a apoiadores — inclusive no baixo Amazonas — teriam ficado no papel. E para vencer uma eleição que se decide voto a voto dentro do plenário, quem não cumpriu a palavra parte em desvantagem.
É esse o pano de fundo da disputa que a Aleam resolve nesta quarta-feira (15), às 15h, no Plenário Ruy Araújo. A votação cumpre uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a regra que permitiria ao presidente interino Adjuto Afonso (União Brasil) seguir no cargo sem passar por nova eleição.
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Por que o Amazonas tem uma eleição extraordinária
Tudo começou com uma ação movida pelo partido Solidariedade contra uma mudança no Regimento Interno da Aleam. A alteração havia sido incluída, segundo o STF, por meio de uma “emenda jabuti” — sem relação com o projeto original — e permitiria que o vice-presidente assumisse definitivamente o comando da Casa em caso de vacância, sem necessidade de votação em plenário.
Flávio Dino entendeu que havia indícios de desvio de finalidade e violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. Resultado: suspendeu a norma e determinou que os 24 deputados estaduais decidissem o novo presidente em votação.
A vacância na Presidência aconteceu depois que Roberto Cidade (União Brasil), até então no comando da Aleam, assumiu o Governo do Amazonas em eleição indireta, após a saída de Wilson Lima. Adjuto Afonso, então vice-presidente, passou a ocupar o cargo interinamente — e chega mais forte para a votação desta quarta.
Thiago entra em campo de última hora
Nas últimas horas, parlamentares de MDB e PSD passaram a articular uma candidatura alternativa a Adjuto, com Thiago Abrahim como nome escolhido. O próprio deputado passou a procurar colegas, numa tentativa de construir, em cima da hora, uma candidatura competitiva.
A movimentação teria contado com apoio de nomes como a deputada Alessandra Campêlo (PSD), pré-candidata a vice-governadora na chapa de Omar Aziz. Ainda assim, até a manhã desta quarta, o favoritismo seguia com Adjuto — e o histórico de promessas não cumpridas de Thiago é apontado, nos bastidores, como um dos principais entraves para reverter esse cenário: presidência da Aleam se conquista com confiança construída, e é justamente isso que setores da Casa dizem faltar ao deputado.
Adjuto mantém confiança e projeta até 17 votos
Procurado pela reportagem nesta quarta-feira, Adjuto Afonso disse receber as movimentações de bastidor com tranquilidade. “Estou tranquilo. A expectativa é de conquistar entre 16 e 17 votos”, afirmou o presidente interino.
Se o placar se confirmar, Adjuto ampliará ainda mais a maioria já costurada nos últimos dias — bem acima dos 13 votos necessários para vencer numa Casa com 24 deputados.
O que está em jogo para 2026
A disputa desta quarta-feira reproduz, em miniatura, o racha que deve marcar a corrida estadual do ano que vem. De um lado, o grupo ligado ao governador Roberto Cidade, com força no União Brasil e aliados de Podemos, Republicanos, Avante e legendas próximas ao PL. Do outro, o núcleo de MDB e PSD, que sustenta pré-candidaturas ao Senado e ao Governo do Amazonas nas eleições gerais.
Para parlamentares ouvidos pela reportagem, tentar eleger Thiago Abrahim tem um significado que vai além do cargo em si: é uma forma de evitar que o grupo governista controle, ao mesmo tempo, o Executivo e o Legislativo estaduais às vésperas da campanha eleitoral. Uma vitória de Adjuto reforça a influência de Roberto Cidade sobre o Parlamento; uma eventual virada de Thiago mudaria o equilíbrio de forças na reta final antes das convenções partidárias.

