Deputado é reconduzido à presidência da Assembleia por 19 votos a 5, só que a votação escancarou a rivalidade entre o governo Roberto Cidade e o grupo político de Omar Aziz
Não teve surpresa no resultado, mas teve climão na sessão. Nesta quarta-feira (15), a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) confirmou Adjuto Afonso (União Brasil) no comando da Casa até janeiro de 2027 — só que os cinco votos contrários, todos de aliados do senador Omar Aziz, deixaram claro que a disputa pelo Governo do Amazonas em 2026 já contaminou o Legislativo estadual.
Único candidato inscrito, Adjuto recebeu 19 dos 24 votos possíveis. Logo depois da vitória, avisou que pretende cooperar com o Executivo, mas fez questão de marcar posição: “A Aleam não será um puxadinho do Executivo”.
Por que teve eleição de novo?
Adjuto já vinha comandando a Casa de forma interina desde que Roberto Cidade (União Brasil) assumiu o Governo do Amazonas, primeiro interinamente e depois em definitivo, após as renúncias de Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza. O problema é que a Aleam tentou manter Adjuto no cargo sem novo pleito, por meio de uma mudança no regimento interno.
O partido Solidariedade não deixou passar e acionou o Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino enxergou indício de “emenda jabuti” na manobra e determinou que a sucessão fosse decidida em votação aberta, seguindo o mesmo rito da Câmara dos Deputados.
Quem votou contra e por quê
Os cinco votos contrários vieram da bancada do PSD — partido comandado no Amazonas pelo senador e pré-candidato ao Governo Omar Aziz — e de um deputado do MDB, legenda do senador Eduardo Braga. Votaram contra: Alessandra Campêlo (PSD), Mayra Dias (PSD), Rozenha (PSD), Wilker Barreto (PSD) e Thiago Abrahim (MDB).
Alessandra Campêlo justificou a posição do PSD defendendo a independência do Legislativo e criticando a forma como a manutenção de Adjuto no cargo foi conduzida antes da decisão do STF. Rozenha foi na mesma linha e apontou dedos para o Palácio Rio Negro:
“Se a Casa está dividida, é uma divisão feita pelo governo”, disparou, defendendo que a pauta da Aleam deve ser dos próprios parlamentares, “sem que sejam mandados por ninguém”.
Nem entre os aliados foi unanimidade
Mesmo entre quem votou “sim” sobrou recado. Sinésio Campos (PT) declarou apoio, mas aproveitou para cutucar a falta de diálogo dentro da própria Casa — afirmou que ter apenas uma candidatura na disputa já mostra que faltou entendimento interno.
Fecharam os 19 votos favoráveis, além do próprio Adjuto e de Sinésio Campos: Brenna Dianná (União Brasil), Cabo Maciel (PL), Carlinhos Bessa (União Brasil), Comandante Dan (Republicanos), Cristiano D’Angelo (MDB), Daniel Almeida (Avante), Débora Menezes (PL), Delegado Péricles (PL), George Lins (União Brasil), Dr. Gomes (União Brasil), Felipe Souza (Podemos), Joana Darc (União Brasil), João Luiz (Republicanos), Mário César Filho (União Brasil), Mayara Pinheiro (Republicanos), Wanderley Monteiro (União Brasil) e Abdala Fraxe (Avante).
O que fica pra frente
A briga em plenário é só um capítulo de uma disputa maior: Aziz é hoje um dos principais adversários de Roberto Cidade na corrida ao Governo do Amazonas em outubro, e Eduardo Braga também está no bloco de partidos que apoia a candidatura de Aziz. Ou seja, o troco do PSD e do MDB na Aleam tem menos a ver com Adjuto pessoalmente e mais com o tabuleiro eleitoral que já começou a ser montado no Amazonas.

