Psiquiatra, escritor best-seller e pré-candidato do Avante disparou nas buscas do Google após participação no primeiro debate presidencial — e fez questão de defender o modelo amazonense de desenvolvimento
Um nome que a maioria dos brasileiros conhecia apenas das prateleiras de livraria virou, de uma hora para outra, um dos mais buscados no Google. Augusto Cury, psiquiatra e autor de best-sellers como “O Vendedor de Sonhos”, participou neste domingo (23) do primeiro debate entre os presidenciáveis de 2026, promovido pela Band — e chamou atenção não só pelo conteúdo, mas pela forma como quase ficou de fora.
Candidato do partido Avante, com o ex-deputado federal mineiro Júlio Delgado como vice em sua chapa, Cury chegou a anunciar que não participaria do confronto, classificando o encontro como “teatro” diante da ausência de nomes como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Minutos depois, mudou de ideia e entrou no debate — decisão que, segundo ele, foi tomada por respeito à emissora.
De autor de autoajuda a nome na disputa pelo Planalto
Aos 67 anos, Augusto Cury não é um estreante na vida pública, mas é, sem dúvida, um dos nomes mais atípicos da corrida presidencial. Médico psiquiatra, ele desenvolveu a Teoria da Inteligência Multifocal, linha de estudo sobre a construção dos pensamentos e a formação de líderes que hoje serve de base para praticamente toda a sua plataforma política.
Sua obra literária, traduzida para mais de 90 países, o transformou em um dos autores mais lidos do Brasil nas últimas décadas, com títulos voltados à gestão emocional e à saúde mental que venderam milhões de exemplares.
Educação emocional como bandeira principal
A principal proposta de Cury na campanha é a implementação do programa “Escola da Inteligência” em toda a rede pública de ensino do país, com o objetivo de ensinar crianças e adolescentes a lidar com as próprias emoções e prevenir transtornos como ansiedade e depressão.
No debate da Band, ele foi direto ao criticar o modelo atual de educação, dizendo que os professores atuam como “cozinheiros do conhecimento” para uma plateia sem apetite — resultado, segundo ele, da intoxicação digital combinada a um ensino excessivamente racionalista.
Na saúde, a proposta segue a mesma linha: fortalecer o atendimento primário e ampliar o acesso a psicólogos e psiquiatras dentro do SUS, tratando a saúde mental como prioridade de política pública.
O capítulo amazonense da campanha: a largada em Manaus
Antes de disparar nas buscas do Google, Cury já havia dado um passo importante rumo ao Amazonas. Em 4 de junho, ele lançou oficialmente sua pré-candidatura em Manaus, num evento no Studio 5 Centro de Convenções que reuniu cerca de 12 mil pessoas, sob a articulação do então presidente estadual do Avante no Amazonas, David Almeida.
A escolha de Manaus como um dos primeiros palcos da pré-campanha não foi por acaso. Foi ali, cercado por lideranças políticas e caravanas vindas do interior do estado, que Cury apresentou boa parte das propostas que hoje sustentam sua candidatura — e reservou um espaço especial para defender a Zona Franca de Manaus.
“O programa de preservação mais bem-sucedido do mundo”
Para o pré-candidato, o modelo da Zona Franca é essencial tanto para o desenvolvimento regional quanto para a preservação da floresta. Segundo ele, mais de 95% das florestas do Amazonas seguem de pé justamente por causa da industrialização concentrada na capital — e não apesar dela.
Cury foi categórico ao classificar o modelo:
“O programa de preservação mais bem-sucedido do mundo.”
Ele também defendeu a manutenção dos incentivos fiscais que sustentam o polo industrial, citando números para justificar o retorno do investimento público na região:
“Temos de defender o que já está dando certo para ter o Brasil dos nossos sonhos. Um Brasil que soma e não um Brasil que divide. O Brasil do pacto nacional. A cada R$ 1 de incentivo, retornam R$ 1,30 a R$ 1,40.”
O candidato foi além e classificou as indústrias instaladas em Manaus como “limpas”, reforçando que a Zona Franca contribui diretamente para a preservação ambiental na região — um discurso que tende a repercutir bem entre lideranças e trabalhadores do Distrito Industrial.
Economia, corrupção e uma proposta de mudança no sistema político
Para além da Zona Franca, Cury defendeu no debate um ambiente mais favorável ao empreendedorismo, com simplificação tributária para pequenas e médias empresas e incentivo à adoção de tecnologias como inteligência artificial e robótica para aumentar a produtividade da indústria nacional.
O candidato também propôs enquadrar a corrupção como crime hediondo, com prazo máximo de seis meses para julgamento de desvios — proposta apresentada em resposta a um questionamento sobre o escândalo envolvendo o Banco Master. Outra bandeira de sua campanha é a transição do Brasil para o semipresidencialismo, mudança que, segundo ele, traria mais estabilidade política ao país.
Com discurso construído em torno do combate à polarização, Augusto Cury tenta se posicionar como alternativa aos dois grandes blocos que hoje dominam o cenário eleitoral — e, ao menos por enquanto, a estratégia parece estar funcionando nas buscas do Google.

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