De “apunhalado pelas costas” ao núcleo duro de Cidade: Marcos Rotta assume coordenação-geral da campanha à reeleição

Ex-vice-prefeito de Manaus, com sete mandatos na bagagem, oficializa nesta quarta-feira (19) a saída do grupo de David Almeida e o desembarque na campanha do governador — reunião que selou o acordo aconteceu na véspera, no escritório político de Cidade

Doze dias depois de anunciar publicamente que havia sido “apunhalado pelas costas” por um antigo aliado, Marcos Rotta encontrou seu novo endereço político. Nesta quarta-feira (19), o ex-vice-prefeito de Manaus foi confirmado como coordenador-geral da campanha do governador Roberto Cidade, candidato à reeleição pela coligação União Pelo Amazonas.

O anúncio saiu às 6h da manhã, em vídeo gravado pelos dois para as redes sociais. Na sequência, Cidade e Rotta caíram na rua: caminharam juntos pela Manaus Moderna, cumprimentando trabalhadores, feirantes e consumidores na estreia pública da nova parceria.

Um acordo fechado na véspera, a portas fechadas

Apesar da badalação nas redes na manhã desta quarta, o entendimento entre os dois já vinha sendo tratado em sigilo havia dias. A confirmação oficial saiu horas depois de uma conversa decisiva na noite de terça-feira (18), no escritório político de Roberto Cidade, no bairro Parque das Laranjeiras — reunião que, segundo informações de bastidores, foi o momento em que o novo posicionamento de Rotta ficou selado.

Não era segredo que algo se movia nos bastidores. Rotta havia deixado claro, ainda durante a ruptura com o grupo de David Almeida, que continuaria participando do processo eleitoral e anunciaria apoio a um candidato ao Governo do Amazonas — mesmo tendo descartado disputar um cargo em 2026.

A ruptura que começou com uma “apunhalada”

Para entender o tamanho do movimento desta quarta, é preciso voltar ao dia 7 de agosto. Foi quando Marcos Rotta tornou público o rompimento com o grupo liderado por David Almeida (Avante), com quem formou chapa nas eleições municipais de 2020.

“Eu fui mais uma vítima daquele que é conhecido no meio político por não honrar os seus compromissos”, disparou Rotta na ocasião, sem citar David Almeida diretamente, mas deixando claro a quem se referia.

O estopim da crise foi o apoio público do prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), à reeleição do senador Eduardo Braga (MDB) — um movimento que, segundo Rotta, já sinalizava que seu próprio projeto político não seria sustentado pelo grupo. David Almeida, por sua vez, não amenizou o desentendimento: rebateu classificando a saída como uma escolha unilateral do ex-vice-prefeito.

“Só fica aqui quem quer. Ele decidiu sair. Ele que assuma lá a posição dele com o Roberto Cidade. Ele já está lá com o Roberto Cidade”, declarou o então aliado, já cravando o destino político de Rotta antes mesmo da confirmação oficial.

O gesto que já dava pistas

Enquanto a crise explodia publicamente, um detalhe chamou atenção de quem acompanha de perto a política amazonense: Roberto Cidade foi um dos primeiros nomes a demonstrar solidariedade a Rotta, curtindo o vídeo em que o ex-vice-prefeito relatava a “apunhalada”. Na época, o gesto já era lido como um sinal de aproximação entre os dois — o que se confirmou agora, doze dias depois.

Outro fato reforça a distância que Rotta já vinha tomando do grupo de David Almeida: ele nem sequer participou da convenção do Avante que oficializou a candidatura do ex-prefeito ao Governo do Amazonas. À época, a justificativa foi pessoal — Rotta estava no Paraná, ao lado do pai, que havia passado por uma cirurgia e, posteriormente, sofrido uma queda.

O que muda na campanha de Cidade

Com a chegada de Rotta, a campanha de Roberto Cidade ganha um nome de peso para o núcleo político e estratégico da coligação União Pelo Amazonas. Ao lado do candidato a vice-governador, Serafim Corrêa (PSB), Rotta passa a participar diretamente das decisões da campanha.

Dono de sete mandatos eletivos, o ex-vice-prefeito chega com a missão de coordenar as diferentes frentes eleitorais e ampliar o diálogo com prefeitos, vereadores e lideranças políticas — não só na capital, mas nos 61 municípios do interior do Amazonas. É justamente essa capilaridade que torna sua entrada estrategicamente relevante: Rotta é um articulador com trânsito reconhecido entre a política de Manaus e a do interior.

Uma baixa para David Almeida às vésperas da disputa

Se a chegada de Rotta fortalece a estrutura de Cidade, o outro lado da moeda é o desfalque que representa para o campo político de David Almeida. Em um momento de definição de alianças pré-eleitorais, perder um nome com o histórico e a rede de contatos de Rotta é um golpe simbólico e prático para o adversário — especialmente por se tratar de alguém que dividiu palanque com o próprio David Almeida havia poucos anos.

A movimentação reforça um tabuleiro político amazonense que segue em rearranjo às vésperas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Com a estreia na Manaus Moderna já feita, a expectativa agora é ver como Rotta vai atuar na prática — e o quanto sua entrada consegue, de fato, ampliar o alcance da campanha governista pelo interior do estado.

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