Manaus quer ofertar implante contraceptivo em 60 unidades de saúde até o fim do ano

Semsa treina médicos para ampliar o método que já protege mais de 99% contra gravidez e dura até três anos sob a pele do braço

Manaus dá mais um passo para colocar o implante contraceptivo subdérmico ao alcance de boa parte da rede pública de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) começou nesta quarta-feira, 19 de agosto, um novo ciclo de capacitação de médicos com a meta de levar o serviço a 60 unidades de saúde da capital até o fim de 2026 — praticamente o dobro das 28 que já oferecem o procedimento hoje.

Como começou a nova etapa de capacitação

A primeira turma da nova fase de treinamento reuniu seis médicos na Unidade de Saúde da Família (USF) Armando Mendes, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus. Ao todo, a Semsa programou oito turmas até novembro, formando 48 profissionais capacitados a inserir o dispositivo.

A enfermeira Bruna Martins Meireles, da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher da Semsa, explicou que o treinamento vai muito além da teoria.

“O treinamento tem uma parte teórica, atividade prática com modelo anatômico e prática com a inserção do implante em grupo agendado de mulheres que desejam utilizar o contraceptivo.”

Segundo Bruna, a capacitação atinge dois públicos ao mesmo tempo: unidades que ainda não oferecem o serviço e postos que já realizam o procedimento, mas que precisam de reforço para dar conta da demanda.

Um método que dura três anos e quase não falha

O implante é um pequeno bastão liberador do hormônio etonogestrel, inserido sob a pele do braço em um procedimento rápido. Sua efetividade passa de 99%, e a proteção contra gravidez dura até três anos — podendo ser removido antes disso, caso a pessoa decida engravidar.

A médica de Família e Comunidade Fabíola Kelly Santos, que conduziu parte do treinamento, destacou por que esse tipo de método vem ganhando espaço entre as opções oferecidas pela rede pública.

“É o que tem menor taxa de falha. E é um método não comportamental, ou seja, não é necessário ficar lembrando de tomar medicação ou a injeção, lembrar de buscar o medicamento na Unidade de Saúde ou renovar a receita.”

Fabíola reforçou ainda que gestações não planejadas aumentam o risco de mortalidade materna e infantil, o que torna a ampliação da oferta do implante uma prioridade dentro da rede.

Quem pode usar o implante em Manaus

O serviço começou em janeiro de 2026, disponível inicialmente em nove unidades, com prioridade para adolescentes a partir de 14 anos e para mulheres e homens trans em situação de vulnerabilidade social. A partir de julho, a Prefeitura ampliou o público: hoje, qualquer mulher ou homem trans entre 14 e 49 anos interessado no método pode procurar o atendimento.

A oferta está espalhada pelas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e rural da cidade, e também chega a quem vive mais afastado do centro urbano. O serviço está disponível na Unidade Básica de Saúde Móvel, nas duas Unidades de Saúde Fluvial Rural — que atendem comunidades ribeirinhas das calhas dos rios Negro e Amazonas — e na Maternidade Moura Tapajóz.

A rotina de quem já está sendo treinado

Na USF Parque das Tribos, a médica Zilda Maria Tejada Steckelberg já oferece o implante com apenas um profissional habilitado. Para ela, o novo treinamento deve mudar a realidade do atendimento na unidade.

“Com esse novo treinamento, a USF terá mais duas profissionais com capacitação para atender a grande procura por esse serviço, que é um método mais simples e de maior praticidade na contracepção.”

Zilda lembra, porém, que o procedimento não é só a inserção em si: exige avaliação clínica prévia, preenchimento de prontuário e orientação detalhada à paciente antes da aplicação.

A procura já é grande entre as mulheres de Manaus

Entre as beneficiadas pela nova turma de capacitação está a dona de casa Laura Miranda, de 42 anos, moradora da região da USF Armando Mendes. Mãe de cinco filhos — o mais novo com seis anos —, Laura passou por consulta com ginecologista antes de ser selecionada para iniciar o uso do implante durante o próprio treinamento, ao lado de outras 15 mulheres da comunidade.

“Fiquei sabendo que estavam oferecendo o serviço e fiz uma consulta com a ginecologista para saber se podia utilizar o implante subdérmico. A médica recomendou, até por causa da minha idade, e acho que vai ser melhor, já que vai durar por três anos.”

Como conseguir o implante nas unidades de saúde

Quem tem interesse no método deve procurar uma das unidades que já realizam o procedimento e passar por avaliação clínica prévia, quando é verificado se existe alguma contraindicação para o uso. No caso das adolescentes, é obrigatório o acompanhamento de um adulto responsável durante o atendimento.

Mais informações sobre o serviço, incluindo a lista de unidades participantes, estão disponíveis no site da Semsa: https://www.manaus.am.gov.br/semsa/.

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