Fieam completa 66 anos e mostra que indústria também é ponte, escola e barco no meio do rio

Sob o comando de Antonio Silva há 12 anos, a federação que nasceu para defender a Zona Franca de Manaus hoje também leva educação e saúde ao interior do Amazonas — e coloca o Estado na cadeira mais importante da indústria brasileira

Existem entidades que só sobrevivem ao tempo. E existem aquelas que ajudam a escrever a história do lugar onde estão. A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), que completa 66 anos nesta segunda-feira (3), é do segundo tipo.

Uma federação que nasceu junto com a Zona Franca

A trajetória da Fieam se confunde com a própria consolidação do modelo econômico amazonense. Quando a Zona Franca de Manaus ainda dava os primeiros passos, a entidade já assumia a missão de representar a indústria local — e de defender um projeto que, décadas depois, resultou em um dos maiores parques industriais da América Latina erguido em plena floresta.

Ao longo desses 66 anos, presidentes e dirigentes entenderam que proteger a indústria nunca foi só proteger empresas. Era proteger emprego, renda, arrecadação e tecnologia para milhares de famílias amazonenses. Cada ameaça aos incentivos fiscais da Zona Franca esbarrou na Fieam como uma das principais barreiras de resistência institucional.

O estilo Antonio Silva: bastidor em vez de holofote

Há 12 anos à frente da Federação, Antonio Silva mudou o alcance da entidade. A defesa da Zona Franca deixou de ser pauta regional e passou a ocupar espaço permanente nas discussões nacionais sobre política industrial e competitividade.

O empresário entendeu cedo que a sobrevivência do modelo depende de pontes com Brasília — com o governo federal, o Congresso e as lideranças da indústria brasileira. Foi essa articulação que deu à Fieam um protagonismo que a entidade não tinha antes.

Quem acompanha de perto descreve um dirigente que foge do estilo tradicional: nada de frases de efeito ou disputa por câmera. Silva prefere o trabalho silencioso, ouve mais do que fala nas reuniões, mas não recua quando os interesses da indústria amazonense entram em jogo.

Da fábrica para o rio: o lado social que poucos veem

A gestão de Silva também ampliou a dimensão social da Fieam. As escolas do Sesi cresceram, o Senai investiu pesado em qualificação profissional, e surgiu o barco Samaúma — que leva educação, saúde e cidadania a comunidades do interior do Amazonas, bancado pela própria iniciativa privada.

É talvez o maior legado da atual gestão: mostrar que desenvolvimento industrial e responsabilidade social não são coisas opostas. Pelo contrário, uma sustenta a outra.

Os números por trás do peso político

A força da Fieam também se mede em números. A entidade representa cerca de 600 indústrias e dezenas de sindicatos patronais, o que a transformou em uma das federações estaduais de maior peso dentro do sistema industrial nacional — não à toa, o Amazonas fala cada vez mais alto nas discussões que acontecem em Brasília.

Amazonas na cadeira mais importante da indústria brasileira

Antonio Silva é vice-presidente executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) desde 2019, reeleito para o cargo por três mandatos consecutivos. Nessa condição, ele assume interinamente a presidência da entidade sempre que o titular, Ricardo Alban, viaja ao exterior — um gesto que já se repetiu outras vezes, mas que segue carregando peso simbólico para o Amazonas.

Quando isso acontece, Silva passa a responder também pela direção do Sesi, do Senai e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) em nível nacional — ou seja, comanda por dias o topo de toda a estrutura da indústria brasileira, a partir de Manaus.

O que vem pela frente

O momento chega em meio a um cenário de desafios para a Zona Franca: a reforma tributária ainda em discussão e a pressão para que o modelo produtivo se adapte à economia de baixo carbono e à transição tecnológica.

Ao completar 66 anos, a Fieam celebra mais do que longevidade. Celebra ter atravessado as transformações do Amazonas sem perder de vista sua missão original — defender a indústria como motor de desenvolvimento para o Estado.