Camisa 10 dá duas assistências, decreta a virada nos acréscimos e agradece a Deus antes de encarar a Espanha na decisão
A Argentina não sabe fazer fácil — e talvez nem queira. Depois de sofrer um primeiro tempo de faltas duras e pouco futebol, os hermanos precisaram, mais uma vez, da virada para seguir vivos na Copa do Mundo. Resultado: 2 a 1 sobre a Inglaterra, com Lionel Messi dando as duas assistências e cravando um placar que reproduz, exatamente, o da histórica “La Mano de Dios” de Maradona contra os próprios ingleses, em 1986.
Primeiro tempo: mais briga do que bola
Os 45 minutos iniciais em Atlanta lembraram mais um cabo de guerra do que uma semifinal de Mundial. Logo no primeiro minuto, Leandro Paredes já cortava o jogo com falta em Jude Bellingham, dando o tom do que viria pela frente. Cotoveladas, empurrões e reclamações constantes com o árbitro tomaram conta da partida, num clima que começou ainda durante a execução do hino inglês, vaiado pelos argentinos.
Tecnicamente, o primeiro tempo foi pobre. A primeira finalização de perigo só saiu aos 32 minutos, em cabeceio sem risco de John Stones. Do lado argentino, a principal chance ficou por conta de Enzo Fernández, que arriscou de longe e mandou perto do travessão após Messi sofrer falta de Elliot Anderson — advertido com amarelo pela infração.
Gol a gol: como saiu cada lance

A Inglaterra foi mais eficiente para abrir o placar. Logo no início da etapa final, Harry Kane lançou, Declan Rice pegou a sobra e serviu Morgan Rogers pela direita. Rogers cruzou para Anthony Gordon, que se antecipou à marcação de Nahuel Molina na segunda trave e mandou para as redes.
O empate argentino nasceu de uma jogada ensaiada nos mínimos detalhes. Aos 40 minutos, Messi cobrou escanteio curto, tocou para Rodrigo de Paul, recebeu de volta e encontrou Enzo Fernández na entrada da área. O volante do Chelsea bateu colocado, no canto, sem chances para Jordan Pickford.
A virada saiu poucos minutos depois, já nos acréscimos. Mais uma vez pela direita, Messi recebeu livre e cruzou com perfeição para Lautaro Martínez, completamente sozinho na segunda trave. Só de cabeça, o atacante da Inter de Milão empurrou para o gol e decretou a classificação argentina.
A covardia de Tuchel

Se a Argentina teve méritos por buscar o resultado até o fim, a Inglaterra também tem sua parcela de culpa na eliminação. Depois de abrir o placar, o técnico Thomas Tuchel optou por recuar o time e administrar a vantagem — uma escolha que, na prática, deu à Argentina todo o espaço que faltava para ela crescer no jogo. Faltando ambição para buscar o segundo gol, os ingleses viram os argentinos tomarem conta da partida e pagaram caro pela postura tímida.
Messi agradece a Deus mais uma vez

Depois da vitória, Messi voltou a exaltar a fé em coletiva de imprensa. Um repórter lembrou uma frase dita pelo camisa 10 após o jogo contra o Egito — “Deus tinha um plano para mim” — e quis saber se o craque acredita que existe outro plano reservado a ele agora, às vésperas da final:
“Deus é grande, e ele sempre tem algo mais, mas honestamente, eu não posso mais pedir mais a Deus. Sou grato por tudo o que Deus me deu, seja na minha carreira esportiva ou na minha vida pessoal. E como eu sempre digo, quanto ao resto… Será a vontade de Deus. Deus sabe.”
De olho na Espanha
Sobre o próximo adversário, Messi falou com propriedade — afinal, viveu boa parte da carreira na Espanha, vestindo a camisa do Barcelona:
“Uma seleção enorme. Com grandes jogadores, com um grande jogo. Uma seleção que eu conheço bem, enfim, joguei muitos anos lá. E jogando da forma que eles jogam. É claro que com grandes jogadores, eu os conheço também, já enfrentei muitas vezes no Barcelona. Eu acho que vai ser uma grande partida, uma partida especial, claro, final de Copa do Mundo. E acredito que vai ser um excelente futebol.”
A decisão está marcada para domingo (19), às 15h (de Manaus), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

