Governador anuncia nova pasta, auxílio de R$ 500 para famílias atípicas e um complexo que promete ser o maior do Norte e Nordeste — proposta chega dias depois do IBGE divulgar, pela primeira vez, dados oficiais sobre autismo no Brasil
O Amazonas soma 43.983 pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo o Censo 2022 do IBGE — o equivalente a 1,1% de toda a população do estado. É nesse cenário que o governador Roberto Cidade decidiu apostar em uma das promessas mais robustas do seu plano de governo: uma secretaria estadual dedicada exclusivamente à causa autista.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (3), em entrevista ao programa de Daniel Anzoategui, na Rádio Difusora. Candidato à reeleição pela Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas), Cidade apresentou a proposta como parte do plano de governo para o período de 2027 a 2030.
Uma pasta só para reunir as ações do TEA
A ideia é simples no papel, mas ambiciosa na prática: centralizar em uma única secretaria tudo o que hoje está espalhado entre diferentes órgãos do governo. A Secretaria Estadual da Causa TEA ficaria responsável por coordenar e integrar as políticas públicas voltadas às pessoas com autismo e às famílias atípicas em todo o Amazonas.
Ao apresentar a proposta, o governador resumiu a lógica por trás da medida. “A marca do nosso governo será o cuidado com as pessoas, o acolhimento e a presença”, disse Cidade durante a entrevista.
Por que o anúncio ganha força justamente agora

O momento não é aleatório. A proposta surge poucos dias depois de o IBGE divulgar, pela primeira vez na história, dados oficiais sobre a população autista brasileira. O Censo Demográfico de 2022 apontou 2,4 milhões de brasileiros com diagnóstico de TEA, o equivalente a 1,2% da população do país.
No caso do Amazonas, os quase 44 mil diagnósticos identificados pelo levantamento passam a servir de base oficial para o planejamento das políticas de inclusão no estado — algo que, segundo os portais que repercutiram o anúncio, tende a expor gargalos históricos no atendimento a essa população e reforça a pressão por uma pasta exclusiva.
R$ 500 por mês e mais unidades de atendimento
A criação da secretaria não vem sozinha. Roberto Cidade reafirmou o compromisso, já anunciado anteriormente, de pagar um Auxílio Estadual de R$ 500 para mães e pais de pessoas atípicas — um reconhecimento, segundo o discurso do governo, das dificuldades que essas famílias enfrentam para se manter no mercado de trabalho formal por causa da rotina de cuidados.
O plano também prevê a ampliação da rede especializada. Hoje o Amazonas conta com três Caics TEA (Centros de Atenção Integral à Criança) e o Centro Juventude TEA. A promessa é abrir novas unidades em Manaus e levar a estrutura para o interior do estado, hoje praticamente descoberto por esse tipo de atendimento.
O maior complexo TEA do Norte e Nordeste
A proposta mais ambiciosa do pacote, porém, é a construção do Complexo TEA Amazonas. Segundo o governador, o espaço reuniria atendimento multidisciplinar, serviços especializados, áreas de acolhimento e um parque projetado especificamente para pessoas neurodivergentes.
A meta declarada é transformar esse complexo no maior equipamento público do tipo nas regiões Norte e Nordeste, concentrando em um único local os serviços de saúde, inclusão e desenvolvimento hoje distribuídos por diferentes pontos da cidade.
Como Roberto Cidade chegou ao governo
Vale lembrar o caminho que levou Cidade ao Palácio Rio Negro. Ele assumiu o governo do Amazonas de forma interina em abril, depois da renúncia do então governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza, que deixaram os cargos para disputar as eleições de outubro — Wilson Lima (União Brasil) concorre a uma vaga no Senado Federal, enquanto Tadeu de Souza (Progressistas) tenta a Câmara dos Deputados.
Como a vacância ocorreu nos últimos dois anos do mandato, a Constituição determinou que a sucessão fosse feita por eleição indireta na Assembleia Legislativa do Amazonas. Cidade foi eleito por unanimidade em 4 de maio, para completar o mandato até janeiro de 2027 — e agora tenta a reeleição com a Secretaria da Causa TEA como uma de suas principais bandeiras de campanha.

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