Três chapas oficializam candidatura à presidência do Caprichoso e Justiça Eleitoral barra urna eletrônica na disputa

TRE-AM nega pedido do boi-bumbá e eleição da nova diretoria, marcada para 13 de setembro, será decidida em cédulas de papel; ex-presidente, atual vice e um outsider disputam o comando da agremiação para o triênio 2027-2029

O Boi Caprichoso vai precisar recorrer ao método antigo para escolher quem vai comandar a agremiação nos próximos três anos. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas negou o pedido da comissão eleitoral do boi para emprestar urnas eletrônicas na disputa marcada para 13 de setembro, em Parintins e Manaus. A votação, que vai decidir entre três chapas concorrentes, será feita com urnas convencionais e cédulas de papel.

A negativa não tem relação com o processo interno do Caprichoso. O calendário eleitoral da nação azul e branca simplesmente coincidiu com um período de restrição total imposto pela própria Justiça Eleitoral em todo o país.

Por que o TRE disse não

Segundo a decisão da presidente do tribunal, desembargadora Carla Maria Santos dos Reis, o impedimento está na Resolução TSE nº 22.685/2007. A norma proíbe o empréstimo de urnas eletrônicas para qualquer eleição não oficial nos 120 dias que antecedem e nos 30 dias que sucedem as Eleições Gerais.

Como o pleito de 2026 acontece em 4 de outubro, a votação do Caprichoso caiu dentro dessa janela de blindagem. O TRE explicou que a restrição existe para manter equipamentos, sistemas e equipes técnicas da Justiça Eleitoral totalmente focados na logística das eleições gerais, sem abrir exceção para nenhum pleito paralelo.

Diante disso, a comissão eleitoral do boi informou que vai adotar todas as providências para que a votação em papel ocorra com legalidade, transparência e fiscalização de todas as chapas. Só podem votar os sócios aptos, conforme o estatuto da entidade.

O favorito que já mandou no boi antes

A primeira novidade da disputa é o retorno de um nome que a torcida azulada já conhece bem. Carmona Oliveira, ex-vice-prefeito de Parintins, presidiu o Caprichoso entre 2005 e 2010, período em que a agremiação faturou três títulos do Festival Folclórico (2007, 2008 e 2010).

Ele registrou candidatura no último dia possível, 31 de julho, à frente da chapa “Caprichoso de Todos Nós”. Seu vice é o compositor Juarez Filho, do quadro oficial de compositores do boi desde 2014 e autor de toadas como “Wayana-Apalai”, “Tandawú” e “Cultura que Resiste” — além de filho do falecido artista Juarez Lima e sobrinho do compositor Braulino Lima.

A campanha de Carmona é construída em cima da experiência administrativa e da redução de dívida que ele credita à sua gestão passada, que teria caído de mais de R$ 1 milhão para R$ 264 mil ao final do mandato.

“O amor ao Caprichoso foi o chamado que nos trouxe até você. Nossas experiências nos fazem uma opção segura para darmos continuidade a um boi vencedor.”

Entre as propostas da chapa estão a anistia a sócios inadimplentes no primeiro ano de gestão, a digitalização dos processos administrativos e a divulgação em assembleia da real situação financeira da associação, incluindo passivos e contratos.

Quem já está lá dentro tenta continuar

Do outro lado, quem quer dar sequência ao trabalho atual é Diego Mascarenhas, hoje vice-presidente do Caprichoso e já ex-diretor administrativo da entidade. Ele oficializou candidatura em 30 de julho pela chapa “Amor Caprichoso”, ao lado de Edwan Oliveira, atual diretor artístico de arena, membro do Conselho de Arte e figurinista do boi.

A dupla defende a valorização dos artistas e sócios, a união da torcida e a conquista de novos títulos como eixos centrais da campanha. Diego é filho de Dona Nazaré Leitão, figura histórica ligada à trajetória do Caprichoso desde a infância dele.

“A partir de agora, sou oficialmente candidato à presidência do Boi Caprichoso. Já entregamos toda a nossa documentação, tanto a minha quanto a do candidato a vice-presidente, e está tudo certo.”

Edwan não participou do ato de oficialização por estar em Juruti, no Festribal dos Povos Originários, mas reforçou à distância que a parceria segue firme na disputa.

A aposta na renovação com nome de fora

A terceira chapa foi a primeira a se formalizar, ainda em 27 de julho. Márcio Azêdo, sobrinho do ex-presidente Joilton Azêdo, registrou candidatura pela chapa “Renovação e Tradição”, tendo como vice o juiz federal aposentado Afrânio Gonçalves — um dos fundadores do Movimento Marujada do Caprichoso em Manaus.

A dupla defende o fortalecimento dos itens coletivos da apresentação e a ampliação de benefícios para o quadro de sócios. Azêdo tem afirmado conhecer bem a estrutura interna da agremiação para assumir o desafio.

“Conheço todas as áreas do Caprichoso e estou preparado para assumir essa responsabilidade.”

O que está em disputa

O mandato que sai das urnas de papel em setembro vale para o triênio 2027-2029. Atualmente, quem comanda o Caprichoso é Rossy Amoedo, que governa a agremiação ao lado do próprio Diego Mascarenhas na vice-presidência — o que torna a disputa ainda mais simbólica, já que um dos nomes da atual gestão tenta a continuidade enquanto dois desafiantes miram a cadeira principal.

Com o prazo de registro encerrado, a corrida está oficialmente definida: de um lado, a experiência de quem já ergueu títulos pelo boi; do outro, a continuidade de quem está no comando agora; e, ainda, a proposta de renovação puxada por um outsider com respaldo na Justiça Federal.

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