Zidane finalmente veste a camisa de técnico da França e revela o sonho que carregava havia anos

Ídolo mundial da Copa de 1998 é apresentado como sucessor de Deschamps até 2030, confessa ter recusado propostas de clubes e promete deixar sua própria marca nos Bleus sem apagar o legado do antecessor

Não foi apenas mais uma coletiva de apresentação. Foi o fechamento de um ciclo que a França vinha adiando havia anos. Nesta terça-feira (28), Zinédine Zidane foi oficialmente apresentado como o novo técnico da seleção francesa, assinando contrato válido até a Copa do Mundo de 2030 e encerrando de vez a espera por um comando que muitos torcedores já davam como certo desde a saída do craque do Real Madrid, em 2021.

A cerimônia marcou o início de uma nova era para os Bleus, que se despedem de Didier Deschamps depois de 14 anos de trabalho — um dos ciclos mais longos e vitoriosos da história do futebol de seleções.

O fim de uma espera de anos

Zidane não escondeu a emoção ao falar sobre o momento. Livre no mercado desde que deixou o comando do Real Madrid, o treinador revelou que recusou diversas propostas de clubes ao longo dos últimos anos justamente para manter-se disponível ao chamado da seleção nacional — um sonho que, segundo ele, sempre esteve acima de qualquer oferta.

“Para mim representa a continuidade de um sonho. Recebi propostas durante quatro ou cinco anos para assumir clubes e recusei todas em prol da seleção francesa. Era a única coisa que queria fazer.”

O ex-meia também garantiu que a distância dos campos não significou afastamento do futebol. Zidane disse ter acompanhado de perto o próprio trabalho da seleção francesa e de outras equipes ao longo desse período fora de atividade.

“Não fiquei parado. Assisti a muitos jogos, até mais do que quando treinava o Real Madrid. Acompanhei de perto a seleção francesa e muitas outras equipes.”

Diallo anuncia “momento excepcional” e homenageia Deschamps

Quem conduziu a cerimônia de apresentação foi o presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Philippe Diallo, que classificou a chegada de Zidane como um marco histórico para a entidade.

“É um momento excepcional. Há quase 14 anos a Federação não tinha uma mudança como esta. Zinédine Zidane é uma lenda do futebol francês e manifestava há muitos anos o sonho de treinar a seleção francesa.”

Antes de falar sobre o futuro, porém, Diallo fez questão de prestar uma homenagem ao trabalho do técnico que está de saída. Sob o comando de Deschamps, a França viveu um dos períodos mais vitoriosos de sua história: o bicampeonato mundial em 2018, o título da Liga das Nações em 2021, além dos vices na Eurocopa de 2016 e na Copa do Mundo de 2022.

“Didier conduziu a seleção francesa ao topo durante 14 anos. Recuperou a imagem da equipe e devolveu grandes resultados esportivos. Este é um momento de reconhecimento pelo trabalho realizado.”

Como chegou o fim do ciclo Deschamps

A saída do treinador já vinha sendo desenhada havia meses. Ainda em janeiro, Deschamps havia anunciado publicamente que deixaria o comando dos Bleus ao término da Copa do Mundo de 2026, encerrando um trabalho iniciado em 2012.

Na prática, o fim veio de forma dura: a França caiu na semifinal do Mundial diante da Espanha, derrota por 2 a 0 que interrompeu o sonho do tricampeonato. A despedida definitiva de Deschamps só se consumou depois, na disputa pelo terceiro lugar do torneio, que terminou em derrota por 6 a 4 diante da Inglaterra.

Mbappé ainda não falou com o novo técnico

Um dos nomes mais aguardados pela torcida na entrevista de apresentação foi o de Kylian Mbappé, principal estrela da seleção francesa. Questionado sobre a relação com o atacante, Zidane foi direto ao afirmar que a conversa ainda nem começou.

“Ainda não conversamos. O mais importante agora é que ele descanse depois de uma temporada longa. Teremos oportunidade de conversar em setembro, assim como com os demais jogadores.”

A data não é aleatória: segundo o jornal francês L’Équipe, é justamente em 1º de setembro de 2026 que Zidane assume oficialmente o comando técnico da seleção, com a estreia programada para a fase inicial da Liga das Nações.

“Zizou é Zizou”: a promessa de construir uma identidade própria

LOU BENOIST / AFP via Getty Images

Mesmo reconhecendo o peso do legado deixado por Deschamps, Zidane deixou claro que pretende imprimir sua própria marca no time, sem tentar copiar o estilo do antecessor — nem o de outros ídolos que já passaram pelo cargo.

“Didier Deschamps é Didier Deschamps. Laurent Blanc é Laurent Blanc. Zizou é Zizou. Vou fazer aquilo que sei fazer para que a seleção francesa continue vencendo.”

O currículo do novo treinador fala por si. Como jogador, Zidane foi peça central no título mundial de 1998 e na conquista da Eurocopa de 2000. Como treinador, comandou o Real Madrid em duas passagens e ergueu três taças consecutivas da Champions League, entre 2016 e 2018 — um feito inédito no futebol europeu moderno.

O que vem pela frente

Com o contrato assinado até 2030, Zidane assume a missão de manter a França entre as principais potências do futebol mundial, embalado por uma geração que ainda tem Mbappé como maior estrela. O primeiro grande teste prático só deve vir em setembro, mas a expectativa em torno do “efeito Zizou” já começa a tomar conta da torcida francesa.

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