Novas unidades do Complexo Hospitalar Sul entraram em funcionamento em julho e já dão sequência ao cuidado de pacientes que recebem alta hospitalar, enquanto governo amplia serviços especializados em outras frentes da rede estadual
Quando um paciente recebe alta do hospital, muitas vezes o tratamento está longe de terminar. Foi o que viveu a enfermeira aposentada Elude Monteiro, cujo marido passou uma semana internado no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto após um acidente de moto. Para dar continuidade ao cuidado dele, ela encontrou no Hospital-Dia e na Policlínica do Complexo Hospitalar Sul (CHS) uma estrutura pronta para receber o caso.
O que muda para quem precisa de acompanhamento após a alta
As duas unidades entraram em funcionamento em julho e já fazem parte do fluxo da rede estadual de saúde do Amazonas. A proposta é simples, mas resolve um gargalo recorrente: organizar o que acontece depois que o paciente deixa o hospital, oferecendo consultas, exames e procedimentos especializados em um só espaço.
O Hospital-Dia e a Policlínica oferecem atendimento em ginecologia, mastologia e ortopedia, além de contar com seis leitos para procedimentos de curta permanência, quatro consultórios, sala de procedimentos e serviço de raio-X. O acesso segue pelo Sistema de Regulação (Sisreg), o que ajuda a direcionar cada paciente para o serviço certo, de acordo com a necessidade.
Na prática, as unidades também aliviam a pressão sobre o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto e o Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL), dando vazão a pacientes que já passaram pela urgência e agora precisam apenas do acompanhamento especializado.
A experiência de quem já foi atendido
Ao procurar a Policlínica para agendar o retorno do marido, Elude não esperava ser atendida tão rápido.
“Consegui a senha e logo fui atendida. A consulta já está no sistema e, conforme a classificação da necessidade, a expectativa é de que ele faça em breve a avaliação de retorno”, contou.
A rapidez surpreendeu a enfermeira aposentada, que também elogiou a estrutura encontrada durante a internação do marido.
“Realmente eu me surpreendi, porque a gente ouve tantas conversas, tantas informações paralelas, que deixa a gente com medo de como é que a gente vai ser atendido. Mas ficamos surpresos com a quantidade de materiais e com o atendimento”, afirmou.
Governo reforça outras frentes da rede estadual
A entrega do Hospital-Dia e da Policlínica do CHS não é uma ação isolada. Nos últimos meses, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) tem investido em várias unidades ao mesmo tempo: o Hospital Delphina Aziz recebeu novos equipamentos, o programa +Saúde da Mulher foi lançado, e o Opera+ Amazonas passou a incluir mais procedimentos e cirurgias de média e alta complexidade — parte de uma meta de 342 mil cirurgias no estado.
A rede também ganhou o Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC) TEA, voltado a crianças com Transtorno do Espectro Autista, além da modernização das fundações Francisca Mendes e Cecon. O SPA e a Policlínica Dr. Danilo Corrêa foram revitalizados e passaram a contar com atendimento Fast Track, o que deve reduzir o tempo de espera nesses serviços.
Por que a continuidade do cuidado importa
Para o governador Roberto Cidade, o objetivo por trás dessas entregas é justamente fechar a lacuna que costuma existir entre a alta hospitalar e o retorno à rotina do paciente.
“Quando o paciente recebe alta, o cuidado precisa continuar. Por isso, estamos ampliando os espaços de atendimento especializado e organizando a rede para que cada pessoa tenha o acompanhamento necessário depois da internação”, destacou.
Ele reforça que a lógica é dar sequência ao tratamento sem sobrecarregar as portas de urgência e emergência.
“Estamos trabalhando para que a rede tenha portas de entrada e de continuidade do cuidado bem definidas. Isso significa dar ao paciente o atendimento adequado, no lugar adequado e no momento em que ele precisa”, completou o governador.
Casos como o de Elude Monteiro ilustram, na prática, o que essa organização representa: um paciente que sai do hospital sem perder o fio da meada do próprio tratamento — e uma rede estadual que segue somando estrutura para dar conta da demanda amazonense.

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